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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

As alianças dos verdes, petistas e tucanos


O último programa de televisão de Plínio Arruda Sampaio levantou o problema das alianças entre os partidos políticos, mostrando que a maioria deles estão comprometidos com as elites, e em seus governos aprofundaram a desigualdade no Brasil. Em seu programa , o candidato do PSOL afirmou que “há um muro que separa os pobres de seus direitos. Tucanos e petistas adoram fazer alianças com as pessoas que construíram esse muro”.



Utilizando como base apenas as alianças para disputas em governos de estado constatamos na prática o que Plínio Arruda Sampaio e o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) falam em em seus programas eleitorais.

O caso mais emblemático de que somente na aparência há diferenças significativas de projeto entre os chamados principais partidos é estado de Maranhão, onde a coligação entre PT, PMDB, DEM, PV tenta a eleição de Roseana Sarney. A família Sarney é conhecida por todo povo brasileiro como coronéis que detém o monopólio dos meios de comunicação no estado, possuem diversos latifúndios e é alvo de inúmeras acusações de desvio de dinheiro. Além disso, controla a política local há pelo menos 20 anos e só fez crescer a desigualdade social, a concentração de terras e, conseqüentemente, o absurdo aumento da pobreza.

Não é somente no Maranhão onde as alianças são definidas por interesses de poder. O PMDB, um um dos partidos mais importantes na coligação da campanha com Dilma Rousseff para a presidência, é um grande exemplo disso. O mesmo PMDB que está com o PT na disputa presidencial e em mais 13 estados, se aliou em outros 6 com o PSDB e DEM, partido de José Serra. Tem também aliança com o PV (Partido Verde) de Marina Silva no Espírito Santo.

O “alternativo” PV de Marina Silva que não tem coligação para a disputa presidencial é aliada de PSDB e DEM em 5 estados. Em outros dois se alia ao PT e no Maranhão apóia Roseana Sarney.

Outro partido importante da base de Dilma, o PSB, se alia com PSDB e DEM em 5 em cinco estados, em outros 13 está com o PT.

Esses dados mostram explicitamente a falsa polarização política nestas eleições. A maioria dos partidos luta para manter seu poder e a desigualdade social no Brasil fazendo alianças que garantam isso, independente do partido com que tenha que se aliar. Partidos como o PT, por exemplo, que eram oposição a figuras como Collor e Renan Calheiros, hoje se agraciam do próprio fisiologismo justificado pela ‘governabilidade’.

Nas últimas eleições municipais, PT e PSDB se aliaram em 1.058 municípios e venceram em 245, governando juntos.

Muito além das alianças partidárias

O editor da revista Caros Amigos, Hamilton Octávio de Souza, no artigo “O passeio eleitoral da candidata do Lula” escrito em fevereiro deste ano, lembra que “a base parlamentar do atual governo é muito ampla, consistente e diversificada, vai desde o PT e o PCdoB até o PTB do Roberto Jefferson e o PP do Paulo Maluf, vai desde gente muito decente até os mais corruptos e atrasados caciques do coronelismo.”

Além disso, o jornalista relata que as alianças não têm um fim em si mesmo. Elas refletem em políticas que favorecem a burguesia do país. “As pesquisas indicam – sem qualquer vacilação – que a força do presidente Lula no norte-nordeste brasileiro é imbatível, em parte porque é lá que está concentrada a massa do Bolsa-Família, que não tem condição de sobrevivência sem o programa governamental; em parte por causa das muitas obras de grande valor econômico, como a transposição do Rio São Francisco, a construção da hidrelétrica de Belo Monte e tantas outras; e em parte porque as alianças com as principais lideranças dessas regiões, como José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho (e tantos outros), devidamente fortalecidas, asseguram um bom desempenho no jogo eleitoral”, escreveu Hamilton.

Ele também cita a dependência com o sindicalismo, dizendo que eles apoiariam Dilma “mesmo que não venha a ser aprovada a redução da jornada de trabalho para 40 horas e nem a mudança no cálculo das aposentadorias.”

Na análise, ele também decifra a dificuldade da direita representada pelo DEM e PSDB, pois elas não teriam expressão, e estariam sem eixo após a derrocada do fundamentalismo neoliberal. Além disso, diz que na base da direita, há lulistas como Aécio Neves e “nem mais a poderosa FIESP quer saber da tucanalhada”.

No final, o professor diz que o cenário deve permanecer deste modo, “a não ser que, num passe mágico, as pessoas acordem da letargia”. Este é o sentido da candidatura de Plínio Arruda Sampaio e do PSOL, que, apostam nas alianças com os movimentos sociais e com esquerda para construir um processo de transformação social. A tarefa, neste momento, é conseguir adesões através do voto para elegermos nossa combativa bancada e continuar fazendo os enfrentamentos a esse modelo de desigualdade.

FONTE: www.plinio50.com.br

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